Sou um experimento científico de mim mesma, uma projeção de personagem que ainda está para surgir. Me descubro com as descobertas de fora, e descubro o mundo ao me descobrir. Busco me entender, assim tão complexa, compreendendo que a complexidade é inerente à mente humana. Me faço de amostra de uma pesquisa independente, me entendo nos resultados dos doutorados profissionais. Analiso-me o tempo todo, e talvez seja mais crítica que os próprios críticos, e outras horas condescendente. Sou uma mutante estável, uma mente instável, um computador carregado e uma agenda vazia, tudo ao mesmo tempo.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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