Estar em conflito pode significar estar louca, mas nem sempre. Estou em conflito quando decido prestar atenção ao meu caos próprio, diário. Estou em conflito quando decido confrontar minhas certezas tão incertas, quando me afogo no meu próprio mar de dúvidas. Estar em conflito não significa necessariamente estar louca, mesmo que temporariamente. É apenas mergulhar fundo na própria cabeça, nadando contra a corrente dos pensamentos, ideias e sentimentos comuns, e buscar dentro de si aqueles essencialmente verdadeiros, escondidos como pérolas nas ostras dos nossos corações. Que seja. Admito que estar em conflito é, sim, estar um pouco louca.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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