Estar em conflito pode significar estar louca, mas nem sempre. Estou em conflito quando decido prestar atenção ao meu caos próprio, diário. Estou em conflito quando decido confrontar minhas certezas tão incertas, quando me afogo no meu próprio mar de dúvidas. Estar em conflito não significa necessariamente estar louca, mesmo que temporariamente. É apenas mergulhar fundo na própria cabeça, nadando contra a corrente dos pensamentos, ideias e sentimentos comuns, e buscar dentro de si aqueles essencialmente verdadeiros, escondidos como pérolas nas ostras dos nossos corações. Que seja. Admito que estar em conflito é, sim, estar um pouco louca.
Hoje acordei com saudade. Para falar a verdade, acordei com mais saudade do que não foi. Daquele fim de semana na praia com meus amigos, daquela viagem de reveillón com as meninas, daquela mensagem que eu não mandei. Acordei com saudade do show que não fui por estar doente, do jantar que não fui por causa da prova do dia seguinte. Senti saudade do intercâmbio em que não me inscrevi, dos amigos que não conheci, dos lugares que não visitei. Acordei com uma saudade louca dos parentes que não deixei, das conversas por Skype que não aconteceram, dos voos que não fiz. Senti saudade até da saudade que não senti. Me deu aquele aperto no coração por não estar contando os dias para chegar em casa e ver todos, por não estar arrumando as malas para vir. É que eu já estou aqui, eu já pertenço a esse mundo, eu já criei raízes. Senti saudade dos amores que não tive, das cartas que não recebi, dos presentes que não comprei. Das festas que não fui, d...
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