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Mostrando postagens de agosto, 2021

Deixa eu te contar

Quem me dera Ser simples como um número Feliz como uma soma Decidida como uma subtração Quem me dera Ser tantas Compartilhar na divisão Me triplicar na multiplicação Quem me dera Que a vida tivesse respostas exatas Que os problemas viessem com fórmulas Que as teorias já fossem sólidas Mas se até os números Têm dízimas periódicas E se até a calculadora Às vezes desiste de calcular Quem sou eu  Pra querer simplificar? Eu sempre fui mesmo De preferir sonhar E sonhos Não são matemáticos Nem exatos Nem possivelmente contabilizados Sonhos  Se forem pra contar Exigem outro tipo de conta Eu chamo de rimar

Ânsia

Sabe quando você escova os dentes E num descuido Acerta um ponto Desconhecido Você não sabe como Nem quando Aquele golpe te acertou E apenas reage Como se fosse colocar tudo pra fora Como se fosse a hora Como se fosse expulsar Algo sem nem saber o que será Sabe quando você sente Que precisa escrever Que precisa falar Ainda que não saiba o quê Você deseja gritar? Pode parecer diferente De quando escova o dente Mas essa urgência de expulsão Pode ser ânsia ou inspiração

Tudo é político

Tudo é político A rima que eu faço O grito que eu calo O X que eu marco É político escolher privatizar É político deixar destruir É político enganar É político não investir Mas também é político Não furar a fila do pão Boicotar apoiador da escravidão Priorizar a educação Tudo é político A roupa que eu visto O produto que eu não compro O influenciador que eu sigo É político fomentar a dor Inibir outras formas de amor É político queimar as memórias Tentar inverter a história É tudo político Inclusive a omissão Vai deixar o caos continuar Ou finalmente vai dizer NÃO?

Eu sei

Eu sei Tudo que já vivi Guardo na memória O quanto senti Eu tenho ciência Do tamanho da emoção Eu sei como é Abrir mão da razão Eu já me senti Maior que a imensidão Eu já caí Num infinito sem chão E depois de tudo Do extremo e do profundo Qualquer coisa parece pouca Meu coração ficou mudo Ele continua batendo E seguindo E vivendo Mas ele não grita mais Tem um tempo que ele sussurra Quando encontra calmaria Fica feliz de pelo menos Não sofrer de agonia Mas ele também queria Poder gritar de felicidade Queria informar o mundo Da sua grande novidade Mas novidade não há Nem houve há um bom tempo Esse coração já não é Assim leve como o vento Mas eu sei Aqui dentro de mim Que algo vai fazer Bater forte assim Eu sei Que pode não ser agora Esse coraçãozinho se prepara Pra quando chegar a hora

Eu sinto sempre

Num dia Eu me incomodei  Por simplesmente me incomodar Como se tivesse obrigação de seguir em frente Como se tivesse ultrapassado limites Do tempo e do coração Como se não tivesse mais direito De sentir o que sinto Como se não tivesse opção Eu não tenho certeza dos motivos Talvez seja uma mistura de tudo Grande confusão Talvez nem seja pelo que vem de fora Mas apenas pelo que espelha E quando me vejo nesse reflexo Me enxergo perdida Parada e vencida Num dia Eu me senti mal Por constatar que ainda sentia Mesmo sabendo que sempre fui De sentir muito E no outro dia Eu não senti nada E ao mesmo tempo Me senti aliviada Não sei o que vem em frente Mas continuo seguindo Ainda que devagar Mesmo que às vezes pareça parada Os pés estão na estrada E me parece Que estou finalmente Livre pra sentir Novamente