Esta escritora pede, humildemente, perdão. O motivo? Todas as coisas que deveria ter feito e não fez, todas as coisas que não deveria ter feito, mas, infelizmente, fez. Pede, principalmente, pelas coisas que nem sabe por que fez, ou por que deixou de fazer. Pede perdão pelas palavras não ditas, pelas palavras mal ditas, pelas palavras que só se concretizaram (ou até pelas que só foram concebidas na sua cabeça) tarde demais. Esta escritora tem plena consciência de que seu pedido de perdão não altera as respostas monossilábicas, nem os intervalos de horas antes de respondê-las, e de que ter sido simpática muito tempo depois não anula sua grosseria de antes. Apesar disso tudo, a citada escritora ainda espera que o destino reconsidere seus maus modos, e volte a conspirar a seu favor, não necessariamente com o mesmo, mas no mesmo setor.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
Comentários
Postar um comentário