Esta escritora pede, humildemente, perdão. O motivo? Todas as coisas que deveria ter feito e não fez, todas as coisas que não deveria ter feito, mas, infelizmente, fez. Pede, principalmente, pelas coisas que nem sabe por que fez, ou por que deixou de fazer. Pede perdão pelas palavras não ditas, pelas palavras mal ditas, pelas palavras que só se concretizaram (ou até pelas que só foram concebidas na sua cabeça) tarde demais. Esta escritora tem plena consciência de que seu pedido de perdão não altera as respostas monossilábicas, nem os intervalos de horas antes de respondê-las, e de que ter sido simpática muito tempo depois não anula sua grosseria de antes. Apesar disso tudo, a citada escritora ainda espera que o destino reconsidere seus maus modos, e volte a conspirar a seu favor, não necessariamente com o mesmo, mas no mesmo setor.
Hoje acordei com saudade. Para falar a verdade, acordei com mais saudade do que não foi. Daquele fim de semana na praia com meus amigos, daquela viagem de reveillón com as meninas, daquela mensagem que eu não mandei. Acordei com saudade do show que não fui por estar doente, do jantar que não fui por causa da prova do dia seguinte. Senti saudade do intercâmbio em que não me inscrevi, dos amigos que não conheci, dos lugares que não visitei. Acordei com uma saudade louca dos parentes que não deixei, das conversas por Skype que não aconteceram, dos voos que não fiz. Senti saudade até da saudade que não senti. Me deu aquele aperto no coração por não estar contando os dias para chegar em casa e ver todos, por não estar arrumando as malas para vir. É que eu já estou aqui, eu já pertenço a esse mundo, eu já criei raízes. Senti saudade dos amores que não tive, das cartas que não recebi, dos presentes que não comprei. Das festas que não fui, d...
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