Talvez não existisse apenas uma melhor amiga, ou talvez todas aquelas definições fofas e meigas não pudessem se encaixar em uma pessoa só, não em todo e qualquer momento ou assunto. Talvez a cama fosse a melhor amiga daquela garota - era o lugar onde ela chorava e sonhava. Talvez fosse o chocolate, que a reconfortava quando as coisas não iam bem, e aumentava ainda mais sua felicidade nos momentos de comemoração. Talvez fosse o seu caderninho vermelho, que cabia em qualquer bolsa e já tinha passado por tantas mãos e canetas. Não era um diário; não, não mesmo. Era apenas um caderno de textos, que guardava solene, em palavras intricadas e sentimentos subjetivos, todo o seu mundo, suas sensações, seus desejos e aflições. Talvez as esperanças e dúvidas se apagassem com o futuro, se esquecessem no passado, assim como a cama, os chocolates e o caderninho vermelho. Mas ela sabia que, no momento em que precisasse deles novamente, eles estariam lá.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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