Talvez não existisse apenas uma melhor amiga, ou talvez todas aquelas definições fofas e meigas não pudessem se encaixar em uma pessoa só, não em todo e qualquer momento ou assunto. Talvez a cama fosse a melhor amiga daquela garota - era o lugar onde ela chorava e sonhava. Talvez fosse o chocolate, que a reconfortava quando as coisas não iam bem, e aumentava ainda mais sua felicidade nos momentos de comemoração. Talvez fosse o seu caderninho vermelho, que cabia em qualquer bolsa e já tinha passado por tantas mãos e canetas. Não era um diário; não, não mesmo. Era apenas um caderno de textos, que guardava solene, em palavras intricadas e sentimentos subjetivos, todo o seu mundo, suas sensações, seus desejos e aflições. Talvez as esperanças e dúvidas se apagassem com o futuro, se esquecessem no passado, assim como a cama, os chocolates e o caderninho vermelho. Mas ela sabia que, no momento em que precisasse deles novamente, eles estariam lá.
Hoje acordei com saudade. Para falar a verdade, acordei com mais saudade do que não foi. Daquele fim de semana na praia com meus amigos, daquela viagem de reveillón com as meninas, daquela mensagem que eu não mandei. Acordei com saudade do show que não fui por estar doente, do jantar que não fui por causa da prova do dia seguinte. Senti saudade do intercâmbio em que não me inscrevi, dos amigos que não conheci, dos lugares que não visitei. Acordei com uma saudade louca dos parentes que não deixei, das conversas por Skype que não aconteceram, dos voos que não fiz. Senti saudade até da saudade que não senti. Me deu aquele aperto no coração por não estar contando os dias para chegar em casa e ver todos, por não estar arrumando as malas para vir. É que eu já estou aqui, eu já pertenço a esse mundo, eu já criei raízes. Senti saudade dos amores que não tive, das cartas que não recebi, dos presentes que não comprei. Das festas que não fui, d...
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