Se tem frio, cobertor. Se tem calor, mar. Se tem sonho, persistência. Se tem cansaço, sofá. Se tem fome, comida. Se tem sono, cama. Se tem angústia, pergunta. Se tem culpa, verdade. Se tem solidão, televisão. Se tem saudade, telefone. Se tem distância, avião. Se tem dança, me dê a mão. Se tem atraso, pressa. Se tem tempo, calma. Se tem desejo, peça. Se tem loucura, ouse. Se tem memória, guarde. Se tem medo, superação. Se tem carinho, cuidado. Se tem amor, ame. Se der errado, não é falta de oportunidade, mas de vontade.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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