Pular para o conteúdo principal

Nada sério


   Eu te conheço há tão pouco tempo. E, cá pra nós, nesse pouco tempo parece que já te conheço tanto. Eu acho que te conheço a ponto de achar que está chegando a hora de te desconhecer. É, querido, já passei por isso antes. Já conheço a história do "não quero nada sério", mas olha bem para mim. Eu estou sorrindo, percebe? Eu estou te estendendo a mão para vir sorrir junto comigo. Também não quero nada sério, não. A vida já é séria demais para a gente sair cobrando seriedade das coisas que se propõem a serem só alegria.
   Antes que diga isso, e que diga que devemos ser só amigos - para sumir e ser apenas mais um amigo do Facebook -, vou te apresentar uns amigos meus. Nada sério, não se preocupe. Só vou te apresentar gente que entende como a gente é. Gente que vai te contar piadas e chamar para umas festas legais. 
   Antes que diga que é melhor cada um seguir seu caminho, vamos pegar o caminho daquela trilha, conhecer a cachoeira e tirar umas fotos legais. Nada sério, pode ficar tranquilo. Nada de foto de carteira de identidade. Tá liberado sorrir, mostrar as orelhas, fazer caretas e poses estranhas.
   Antes que diga que o problema é você e não eu, vamos esquecer dos problemas juntos. Passar uma tarde agradável na praia, no parque, no cinema, em qualquer lugar. Vamos botar a música nas alturas, subir no carro e gritar o refrão até a garganta não aguentar. Nada sério, não. Qualquer anti-inflamatório resolve.
   Antes de sumir da minha vida, do meu celular e dos shows que por coincidência gostávamos de frequentar, vamos sumir da cidade por um dia. Vamos ficar sem sinal, pegar a estrada até o sol se por, parar em um lugar qualquer para comer e conhecer. Nada sério, não. Vamos só fazer uma visita rápida, um tour alternativo, algo do tipo.
   Antes de terminar o que nunca nem começou, me dá a oportunidade de ser um nada sério bem divertido. Sabe, nunca tive a pretensão de ser sua chefe, professora, orientadora, avaliadora, qualquer coisa séria para você. Que tal me dar a chance de ser a garota leve do sorriso solto, nem um pouco séria, que gosta muito de alguém divertido como você?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Algo

   Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível.    Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos.    Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...

Ele era incógnita

   Era uma festa grande. Muito grande. A maior do planeta. E ela estava linda. Encantadora. E ela sabia disso. E também, mesmo que não soubesse, naquele dia todo mundo comentou. Ela estava, como gostaria de dizer, "bombando". Era só sorrisos, os olhos brilhando mais do que a própria fantasia.     Ela estava bem: as coisas da vida corriam certo, a família com saúde, sem tantas emoções. Aí apareceu um carinha. Sabe como é, coisa de carnaval: bonito, parecia legal, a voz sensacional. Ela diria que foi bem legal. E continuou seu carnaval. Qual não seria sua surpresa ao ver que, depois, ele estava falando com ela? Era coisa de carnaval, ela repetia. Engraçado, ela sempre respondia.    Eles começaram a conversar mais. E ele era fofo, ela até estranhou. A amiga avisou: cuidado para não se apegar. Mas não, ela nem precisava ter cuidado. Estava numa época tão boa e tranquila, tão leve, tão bem consigo... Ela estava se divertindo, só isso. Era uma coisa...

Amor-passarinho

O amor precisa ser livre. Se não for, simplesmente não será amor. O amor precisa ser livre como passarinho. Precisa poder voar. Precisa ter a liberdade de construir outro ninho. O amor precisa ficar porque quer estar. Não adianta muito ficar apenas porque as asas cortadas já não conseguem voar.  O amor precisa ser livre - no início, no meio e no final - para que continue sendo amor, não posse. Precisa ser livre para poder se transformar, sem se prender em amarras. Só o amor livre consegue se transmutar em outras formas de gostar. O amor precisa ser livre, ainda que seja para voarmos para longe dele. É preciso perceber a hora de pousar, mas também a de ir embora. O amor livre é aquele que se alegra com os grandes voos do outro, mesmo que os ventos levem para outros caminhos. Gosto da metáfora do amor-passarinho: dos voos, dos ninhos, da beleza de poder ir, da sinceridade do querer ficar, da independência de conseguir planar sozinho.  Meu amor-passarin...