Estava passeando pela minha cabeça e encontrei você. Nossa, quanto tempo! Eu sorrio. Faz o quê? Uns três anos? Quatro, talvez? Não, acho que seis. Meu Deus, passou tão rápido! Você está diferente, hein? Aham, cortei o cabelo, clareei no sol, perdi peso, tirei o aparelho, fiz as sobrancelhas e aprendi a me maquiar. E você? Nossa, nem me conta! Perdeu de ano, largou o colégio para jogar futebol, passou na melhor faculdade, viajou, raspou a cabeça, malhou, parou de malhar, começou a namorar, tá saindo com aquela menina que era a maior patricinha, me dá seu celular? Não, não, melhor não. Vamos só tirar uma foto para lembrar esse momento inédito. Isso, enquadrou todo mundo? Aê, digam xis! Nossa, ficou ótima! Acho melhor eu ir, tô meio atrasada, um dia a gente se encontra por aí. Você eu vejo toda hora, você é mais difícil, com você vai ser quase impossível eu me bater. Mas quem sabe, né? Essas loucuras que o destino costuma promover...
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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