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Me desculpe, mas obrigada


   Eu já fiz alguém chorar. Ponto, porque esse momento é de reflexão, e a vírgula seria rápida demais. Fiz alguém chorar e sorri por isso. Sorri muito, e quase transbordei em lágrimas. Lágrimas de alegria. Já me fizeram chorar também, e por vários motivos. Não quero saber de tristeza, e se fiz alguém chorar por isso, perdão.
   É indescritível a emoção de estar em cima de um palco, com mais 10 centímetros de salto alto, olhando para uma plateia de duzentas pessoas, falando um texto que escreveu no conforto da sua solidão. É abrir demais o coração. É expor tudo que há por dentro, é deixar as lágrimas, os gritos e os sorrisos saírem em forma de palavra, a voz às vezes fraca.
   Eu já esqueci o meu próprio texto, e não foi por nervosismo. Meu amor por falar em público é quase tão grande quanto o que tenho por escrever. Mas enquanto você vive o presente, procurando por alguém ali, naquela sua plateia atenta, o passado escrito no texto se esquece de que deveria ser dito. E é isso. Branco. Pedi desculpas, retomei, continuei.
   Isso nunca tinha acontecido comigo, e o que podia ser motivo de vergonha se transformou em riso. Ao chegar na coxia, a primeira coisa que ouvi foi "você fez as pessoas chorarem". E eu sorri por isso. Eu me orgulhei. Sabe, a minha intenção sempre foi provocar emoção. Parece que consegui. Ponto para mim. Provavelmente, meu rosto agora está exatamente assim, como na foto. Sorrindo, e morrendo de vontade de chorar. De alegria, claro.

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