Um dia, não me pergunte quando nem por quê, você vai lembrar de mim. E acho que vai sorrir. Vai sim. Um dia talvez você esteja andando na rua, sentado no ônibus, assistindo a aula, sei lá. E aí eu também não sei o que vai acontecer. Talvez alguém tenha um sorriso parecido com o meu, use um perfume que eu costumava usar, talvez alguém fale com o meu jeito de falar. Ou talvez não seja ninguém. Talvez algo ao acaso te faça pensar. Se uma folha marrom cair sobre o seu casaco, e eu surgir na sua cabeça falando que amo o verão, mas que o outono é especial porque abriga meu aniversário, então talvez você lembre de maio e de como tudo começou. Ou de como não se começou nada, você escolhe. Talvez você veja uma caixa de chocolates suíços, e isso te faça lembrar da minha maior paixão de todas, e de como meus olhos brilham só de imaginar. Talvez, um dia você se machuque e lembre do quanto eu sou desastrada e apareço roxa sem nem perceber. E talvez você sorria ao lembrar das minhas expressões surpresas ao encontrar cada um desses hematomas. Talvez você lembre das minhas graças, dos meus trejeitos, dos meus gostos, das minhas histórias. Talvez você até se sinta nostálgico. Mas olha para o lado, vai. Tá vendo aquela menina ali? Ela tá doidinha para sorrir para ti. E sobre mim? Só quero que seja feliz.
Hoje acordei com saudade. Para falar a verdade, acordei com mais saudade do que não foi. Daquele fim de semana na praia com meus amigos, daquela viagem de reveillón com as meninas, daquela mensagem que eu não mandei. Acordei com saudade do show que não fui por estar doente, do jantar que não fui por causa da prova do dia seguinte. Senti saudade do intercâmbio em que não me inscrevi, dos amigos que não conheci, dos lugares que não visitei. Acordei com uma saudade louca dos parentes que não deixei, das conversas por Skype que não aconteceram, dos voos que não fiz. Senti saudade até da saudade que não senti. Me deu aquele aperto no coração por não estar contando os dias para chegar em casa e ver todos, por não estar arrumando as malas para vir. É que eu já estou aqui, eu já pertenço a esse mundo, eu já criei raízes. Senti saudade dos amores que não tive, das cartas que não recebi, dos presentes que não comprei. Das festas que não fui, d...

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