Esse barulho ritmado que me aperta o coração. Essa espera que me prende a respiração. Essa ansiedade que me trava os dedos. Tic tac. Essa falta que me cerra os dentes. Esse silêncio que me arranca os cabelos, essa angústia que me rói as unhas, essa loucura que me rasga as roupas. Tic tac. Essa tristeza que me dói inteira, essa inquietação que me perturba a mente, essa incerteza que me engole aos poucos. Tic tac. Esse fim que nunca deixa de ser meio, essa emoção que nunca grita, essa tensão calada e mordida. Tic tac. Esse transtorno problemático, essa obsessão incontrolável, essa compulsão alucinógena. Tic tac. Essa agonia de viver de olhos vendados, sem saber ao certo quando, onde ou por quê. Tic tac. O relógio não para de rodar. Tic tac. Convulsões involuntárias, gritarias desmedidas, olhos vidrados. Tic tac. Mas a ampulheta. Tic tac. Vai parar de funcionar.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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