Esse barulho ritmado que me aperta o coração. Essa espera que me prende a respiração. Essa ansiedade que me trava os dedos. Tic tac. Essa falta que me cerra os dentes. Esse silêncio que me arranca os cabelos, essa angústia que me rói as unhas, essa loucura que me rasga as roupas. Tic tac. Essa tristeza que me dói inteira, essa inquietação que me perturba a mente, essa incerteza que me engole aos poucos. Tic tac. Esse fim que nunca deixa de ser meio, essa emoção que nunca grita, essa tensão calada e mordida. Tic tac. Esse transtorno problemático, essa obsessão incontrolável, essa compulsão alucinógena. Tic tac. Essa agonia de viver de olhos vendados, sem saber ao certo quando, onde ou por quê. Tic tac. O relógio não para de rodar. Tic tac. Convulsões involuntárias, gritarias desmedidas, olhos vidrados. Tic tac. Mas a ampulheta. Tic tac. Vai parar de funcionar.
Hoje acordei com saudade. Para falar a verdade, acordei com mais saudade do que não foi. Daquele fim de semana na praia com meus amigos, daquela viagem de reveillón com as meninas, daquela mensagem que eu não mandei. Acordei com saudade do show que não fui por estar doente, do jantar que não fui por causa da prova do dia seguinte. Senti saudade do intercâmbio em que não me inscrevi, dos amigos que não conheci, dos lugares que não visitei. Acordei com uma saudade louca dos parentes que não deixei, das conversas por Skype que não aconteceram, dos voos que não fiz. Senti saudade até da saudade que não senti. Me deu aquele aperto no coração por não estar contando os dias para chegar em casa e ver todos, por não estar arrumando as malas para vir. É que eu já estou aqui, eu já pertenço a esse mundo, eu já criei raízes. Senti saudade dos amores que não tive, das cartas que não recebi, dos presentes que não comprei. Das festas que não fui, d...
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