Eu não sei mais para onde ir, não sei que rumo quero tomar, não sei o que me faria feliz. Eu não estou triste. Tá, tudo bem. Talvez eu esteja mesmo triste. Mas é que eu não tenho motivos para estar, e é meio incompreensível estar assim sem motivo. É só que tudo anda meio parado. Tudo anda bastante parado. Eu só não sei mais como continuar. Não sei para onde continuar. E eu continuo caminhando. Continuo andando, apenas para não cair. Não é como se estivesse seguindo a luz no final do túnel. Não é nem como se estivesse em um túnel. É só como se eu estivesse perdida em um deserto, e para todos os lados só houvesse areia. Não há sinal de mais nada, não há objetivo para alcançar, só esse sol que castiga minha pele e me faz apertar os olhos. E eu continuo andando. Não sei para onde, não sei porquê, não sei porque não me deixo cair, não sei porque me obrigo a continuar. E eu continuo. O deserto esfria, eu penso, tola, que o calor melhoraria. Sou atingida pelo frio e pelo vento que parece cortar minhas costelas, e não consigo saber qual das duas opções é pior. Eu só continuo a andar. Sem objetivo, sem rota, sem motivo, sem saber de nada. Minhas pernas doem, minha cabeça pesa, minha cabeça não entende nada do que acontece, e meu coração só quer pedir descanso. Descanso do quê? Eu mesma me indago. Você não fez nada além de se imaginar em situações desoladoras. Você não trabalhou, você não se esforçou, você não se emocionou. Você está tão fria quanto o vento do tal deserto. Vá dormir. É o melhor que você tem a fazer. Talvez um dia melhore. Talvez um dia você perceba todas as besteiras. Talvez você perceba que não são besteiras. É tudo um grande nada, e mesmo sendo nada, é como se me afogasse no vazio. Não dá para explicar. Conforte-se, conforme-se, cubra. Um dia você reencontra seus motivos, seus sorrisos, seu jeito. Um dia você tropeça em uma quina, quase cai, e se esbarra na esquina com a sua antiga eu. Talvez.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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