Talvez eu devesse falar das mulheres que amam demais. Mas aí tem aquele pequeno problema que já falaram do assunto. E que eu sou nova demais e com experiências de menos para supor entender o que vive uma mulher que ama demais. Talvez eu devesse falar das jovens que amam demais, mas continuaria o problema de eu amar de menos. Então, talvez eu devesse falar sobre as meninas que já não acreditam no amor. Talvez. Fora a parte que eu continuo acreditando. Não que seja como a gente quer que seja ou como a gente acredita que é. Talvez seja apenas para alguns, não para todos. Mas não dá para dizer que você não acredita, quando você acredita que, para alguém, mesmo que do outro lado do mundo, ele existe. Ou já existiu. Em algum momento, ele estava lá. Talvez, por isso, eu tenha algo sobre o que falar. Mesmo que não seja comigo. Mesmo que eu não tenha vivido. Mesmo que qualquer coisa. Ainda que o texto não seja bom. Ainda que o meu sentimento não seja verdadeiro. Ainda que, em mim, não haja sentimento, não haja assunto, não haja história ou imaginação. Ainda há esperança. Pelo menos, inspiração.
Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível. Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos. Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...
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