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Deixa eu te contar

Quem me dera

Ser simples como um número

Feliz como uma soma

Decidida como uma subtração


Quem me dera

Ser tantas

Compartilhar na divisão

Me triplicar na multiplicação


Quem me dera

Que a vida tivesse respostas exatas

Que os problemas viessem com fórmulas

Que as teorias já fossem sólidas


Mas se até os números

Têm dízimas periódicas

E se até a calculadora

Às vezes desiste de calcular


Quem sou eu 

Pra querer simplificar?

Eu sempre fui mesmo

De preferir sonhar


E sonhos

Não são matemáticos

Nem exatos

Nem possivelmente contabilizados


Sonhos 

Se forem pra contar

Exigem outro tipo de conta

Eu chamo de rimar

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