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Imortal

Me conta o motivo das suas olheiras

Me mostra a foto que guarda na carteira

Me indica seu livro de cabeceira

Me revela a sua caixinha de lembranças

Me conta dos calos das suas andanças

Se abre sobre aquele trauma de infância

Me pede sigilo

Te ofereço segurança

Todos os seus segredos

Vão comigo pro túmulo

Suas mágoas e rancores

Seus casos e amores

Tá tudo guardado

Enterro a chave do cadeado

Eu quero saber

Pra entender você

Eu quero entender

Onde vou me meter

Eu quero me assegurar

De que também é seguro

Andar com você

Eu quero compreender

Aprender detalhes sobre você

Seu contexto

Sua cultura

Seus planos

Metas futuras

Me deixa observar

Esses tantos sinais

Que fazem das costas

Constelação

Me deixa admirar

O degradê dos seus olhos

Perfeição

Me deixa imortalizar

Cada pedacinho de história

Cada cantinho de sensação

Vou fazer uma colagem de memórias

Guardar pra recordação

Já sei que o amor não demora

Me deixa eternizar a paixão

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Algo

   Era a sensação de falta de pertencimento. Aquela sim, latente, incomodava sempre, escondida no fundo do coração. Ela não era tudo aquilo que diziam ou pensavam, nem era apenas aquilo que diziam ou pensavam. Era filha, amiga, irmã, aluna, colega, futura alguma coisa, qualquer coisa de sucesso. Mas era complicado. Ela era a falta, a inconstância, a não plenitude nem contentamento. Era a busca por algo indizível, incompreensível, inexplicável, ininteligível.    Ela não sabia bem o que queria, e andava por aí - aqui, acolá, onde quer que sua mente estivesse ou suas pernas a levassem - meio perdida, em busca do seu "algo" ainda não encontrado. Viajava serenamente em seus próprios devaneios, à procura, em seu inconsciente, daquilo que a completaria. Daquilo que ela criaria energias e correria atrás. Só queria algo a que se doar, completa e impensadamente, sem medo de arrependimentos.    Não achou, tão cedo, aquilo de que tanto precisava. Talvez num outro ...

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