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Por onde você andava?


   Não sei porque, mas ontem eu abri o seu Facebook. Alguém marcou você, e por um motivo nada especial, dessa vez não vi necessidade em me conter. Eu cliquei lá. Estava curiosa sobre como estaria sendo sua vida depois que a gente parou de se falar.
   Senti a saudade que sinto das minhas velhas amigas, com quem já não convivo hoje em dia. Senti a vontade de encontrar por acaso, quem sabe, no shopping ou no mercado, e dar boas risadas com as histórias que sempre começam com "e você lembra do dia que...?". Sorri com algumas lembranças que eu nem imaginava que minha memória ainda era capaz de lembrar.
   Eu redescobri você, como uma pessoa que você passa muito tempo sem ver, e de repente relembra aquele jeito de falar, aquela expressão que gostava de usar, aquele jeito engraçado de gargalhar. Achei graça das coisas que você postou, das matérias que comentou, da foto que um amigo te marcou. Imaginei o tanto de coisa que você já viveu e eu nem vi, pensei se você pensaria o mesmo de mim. Será que, se decidisse olhar o meu feed, ainda reconheceria em mim a mesma pessoa de tempos atrás? 
   Observei o seu sorriso aberto, fechando os olhos de felicidade. Adorava aquele sorriso. E adoro saber que ele continua assim. Observei a leveza do olhar de quem não quer se preocupar, e percebi que tudo que eu sentia era, finalmente, leveza. Apenas. Não importava por onde você havia andado enquanto eu não via. Não importava se as suas andanças não cruzassem, nunca mais, com as minhas. O que importava era apenas aquele sorriso. E você o tinha.

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